Um relatório conjunto do Fórum Econômico Mundial e do LinkedIn, divulgado nesta semana, alerta que a inteligência artificial pode ampliar as desigualdades de gênero no mercado de trabalho. O estudo aponta que cargos administrativos e de suporte, mais vulneráveis à automação, concentram grande presença feminina.
O que o relatório aponta
Segundo o G1, a pesquisa mostra que funções historicamente ocupadas majoritariamente por mulheres, como atendimento ao cliente, suporte administrativo e tarefas de back-office, estão entre as mais expostas à automação por ferramentas de inteligência artificial.
O documento também identifica baixa representação feminina no desenvolvimento de sistemas de IA, em todos os níveis hierárquicos, da base técnica até cargos de liderança em empresas de tecnologia.
Por que isso importa
A combinação entre maior exposição à automação e menor participação na criação das tecnologias que automatizam esses trabalhos forma um ciclo que pode aprofundar disparidades já existentes no mercado. Se as mulheres estão mais concentradas em funções substituíveis por IA e, ao mesmo tempo, participam pouco do desenvolvimento dessas ferramentas, tendem a ter menos influência sobre como e onde a automação é aplicada.
O relatório sugere que, sem intervenção, essa dinâmica pode ampliar o fosso salarial e de oportunidades entre homens e mulheres nos próximos anos.
O que muda para o mercado
Entre as recomendações do estudo está o investimento urgente em capacitação de mulheres em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla STEM. A ideia é ampliar a presença feminina em funções ligadas diretamente ao desenvolvimento e à gestão de sistemas de inteligência artificial, e não apenas em cargos que tendem a ser automatizados.
Empresas e governos são chamados a rever políticas de requalificação profissional, com foco em transição de trabalhadoras de funções administrativas para áreas técnicas relacionadas a dados e IA.
O que observar daqui para frente
O relatório do Fórum Econômico Mundial e do LinkedIn deve alimentar debates em fóruns internacionais sobre políticas de emprego e tecnologia. A expectativa é que o tema ganhe espaço em discussões sobre regulação do uso de IA no ambiente de trabalho, com atenção especial a programas de requalificação voltados a grupos mais vulneráveis à automação.


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